Tabuada: uma aposta para o 5ºano

21 09 2010

Vila Nova de Gaia, marginalA importância da tabuada é mais ou menos um lugar comum, mas há opiniões muito diversas sobre a melhor forma de a abordar.

Numa reflexão de práticos (professores de sala de aula) em que participei deu para concluir que no 1ºciclo é feito um trabalho mais ou menos intenso em torno da tabuada, mas que na generalidade só permite ao aluno  compreender a mecânica. Creio também ser mais ou menos verdade que as “tabuadas mais pequenas” são facilmente decoradas e as maiores… nem por isso…

Num texto muito claro, Nuno Crato reflecte sobre isto mesmo.

Na nossa conversa de práticos surgiu a intenção declarada de usar o 5º ano como espaço de consolidação e memorização da tabuada: “No entanto a eficiência de cálculo não se compadece com a “demora” desta actividade, exige saber automaticamente que 7 x 8 = 56. Não há bom cálculo, mental ou escrito, nem boas estimativas sem esse
automatismo. A automatização das tabuadas é uma actividade que mobiliza a sua compreensão através da memória. Memorizar as tabuadas após terem sido compreendidas é uma actividade que conduz à sua automatização e interiorização e, consequentemente, à sua aprendizagem.” (in A Multiplicação e o ensino das tabuadas).

O que vou fazer?

Realizar diariamente um exercício de cálculo mental. Eu “digo  vinte contas”  e os alunos registam apenas os resultados. Passam a folha de registo aos colegas que a corrige. Eu, enquanto professor, registo todos os resultados dos alunos. Demora cerca de 5 minutos cada série de 20 operações (nesta fase adições, subtracções e multiplicações).

Este exercício é feito com alguma velocidade e a escolha das operações obedece a uma estratégia de complexidade gradual.

A saída da sala de aula é feita depois de responder a uma questão da tabuada. Um segundo erro dá direito a fazer tabuadas como trabalho de casa;

– No contrato de trabalho estabelecido e negociado com os alunos há castigos – fazer tabuadas.

– Vou comunicar, por escrito, com os pais uma série de dicas para que também eles se possam envolver neste desafio.

E tu, como fazes?

——

Ligações:

Dicas para ensinar a tabuada

Tabuada na Wikipedia

Site para testar a tabuada

Jogos para os miúdos sobre a tabuada





Percurso… escola a escola… turma a turma… aluno a aluno

24 08 2010

Imagem das obras do JI de CanelasA gestão flexível do currículo é um lugar comum presente há anos no discurso educativo  – há, conheço-as, práticas muito interessantes, mas a norma é um currículo muito pouco flexível. Os novos programas, porque são um novo ponto de partida podem ser uma boa oportunidade.

O documento que apresenta os 2 percursos sugeridos pelos autores dos novos programas sugere de forma muito clara que ” caberá às escolas introduzir alterações nestes percursos ou conceber percursos alternativos, que melhor se adaptem às características dos alunos, aos recursosexistentes, às suas condições e ao contexto social e escolar, de acordo com as metas estabelecidasno programa para cada ciclo”.

Sugerem ainda que devemos ver o programa na sua globalidade e não considerar apenas uma sequência de conteúdos – finalidades e objectivos gerais fazem parte (SEMPRE) da nossa prática.

O trabalho inter-temas (Números e Operações, Geometria, Álgebra e Organização e Tratamento de Dados) deve ser integrado – em diferentes momentos, em diferentes temas não devemos fugir a pontes com os outros, a exemplos… No fundo a pegar na velha ideia de que a competência é a mobilização de um objectivo… O recurso ao trabalho com áreas para trabalhar a multiplicação é um bom exemplo.

Penso, tendo a humildade de reconhecer a qualidade das propostas apresentadas, que seria muito interessante que cada escola conseguisse desenhar um percurso curricular adaptado às suas condições.

Diz-me a experiência que o arranque do 5º ano com os sólidos acaba por ajudar à integração dos alunos no 2ºciclo – parece-me que a proposta B seria por isso a mais interessante. Mas, por outro lado o facto de sugerir as figuras no plano de seguida torna o tempo um problema. Isto é, penso que os alunos poderão ficar demasiado tempo (férias de verão, 1º período?) sem trabalhar com números…

Será que vale a pena iniciar este tipo de discussão? Que me dizem?





Tarefas, exercícios, problemas de ontem e de hoje…

23 08 2010

Na catedralUma pequena declaração para arrancar  – acredito pouco nesta nova fórmula. O problema da “nossa” matemática poderia estar nos programas, mas está longe de ser essa a questão central. E, quanto aos outros PROBLEMAS,  quase tudo está por fazer.

Depois, quando se fala de novos programas anda toda a gente a dizer que é contra as tarefas, que as tarefas isto e aquilo – sejamos claros: pouco vai mudar na prática – vamos ter um manual e esse será a base do trabalho para 90% dos docentes, até porque a outra ENORME carga de trabalho burocrático nas escolas continua a crescer. Assim, sem dramas, devemos trazer as dificuldades para o campo terreno, deixando de fora teorias sem sentido, mas também colocando à porta deste blog todos os habituais discursos do ” está tudo mal”.

O desafio, aceite-o e entre, é partilhar, colaborar, questionar, duvidar… E, em conjunto, crescer!

Estamos TODOS – do 1º ao 9º –  metidos neste barco! Vamos lá ver se conseguimos navegar sem o afundar.





O novo programa de matemática

23 08 2010


No site do Ministério da Educação, em formato pdf, podem encontrar o programa de matemática.

Os autores dos programas apresentam duas propostas de percurso (pdf).

Podemos ainda aceder aos tópicos a leccionar (pdf).

A DGIDC tem ainda um site com materiais de apoio aos novos programas.

Para ler o documento tem que ter um leitor de ficheiros pdf. Pode fazer a instalação grátis, de um, desde o site da Adobe.





Olá, mundo!

23 08 2010


Este pretende ser um ponto de encontro nos desencontros dos novos programas de matemática.

(Portugal, Educação, Matemática, criado em Agosto de 2010)